quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Na ‘Foiz’ é assim...

Depois da constatação de que a sacolinha do Supermercado Muffato é o saco de lixo mais usado em Foz do Iguaçu; depois do aparecimento da melancia quadrada e depois que descobrimos que em Foz do Iguaçu um travesti foi seqüestrado por alienígenas no Porto Meira, a contra-cultura ou a falta do que fazer ataca novamente.

Pois em Foz do Iguaçu já vimos Encontro Mundial de Palhaços, catador de papelão viado, desfile de policiais avisando (aos bandidos) a chegada da Força Tarefa, já vimos e ouvimos milhares de vezes a promessa de se terminar o Centro ‘Elefante Branco’ de Convenções, a BR 469 é só mais uma promessa, já vimos candidatos a vereador com codinomes “Narizão”, “Piá do Gás”, e “China da Motinha”, já quase tivemos show do Massacration na city, já vimos programa de erradicação de emprego sem carteira assinada, já ficamos quatro horas na fila pra cruzar a Ponte da Amizade.

Já vimos Guardas Municipais comprando dvd’s piratas em plena Avenida Brasil, vimos também vários muleques vestidos de Papai Noel em pleno verãozão de Foz do Iguaçu, festa com o nome Xoxotas Fest, tiroteio e morte em festa religiosa, carroças e mais carroças no trânsito da cidade bem na hora do rush, uma coluna num jornal assinada por um Corvo, mercados que fazem aniversário umas seis vezes por ano, já vimos candidato a prefeito alienígena, acordamos no dia eleição para prefeito com a rua de casa asfaltada, vimos guria mandando fazer vestido para ir ao shopping novo da cidade, e claro, quase morremos no ataque terrorista de 10 junho, o Fim de Foz do Iguaçu.

É por essas e outras que a cidade demorara a crescer. Apostamos em prefeitos e erramos os prefeitos. Somos preconceituosos, ainda que a cidade tenha 72 etnias, criticamos boas ações e aplaudimos as sem cabimento, tentamos mudar o nome da cidade e esquecemos de planejar o social do município, tentamos promover a EcoFoz e não limpamos nossos rios, choramos a morte dos iguaçuenses e ficamos alheios ao descaso do governo com a segurança do município.

“Avança Foz!”. “E viva Foz do Iguaçu!”.

?!?!?!?!?!?!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Tudo de novo

No começo ele só franzia a testa e abaixava a cabeça
Depois começou a se impor
Da testa franzida veio o aperto nos dentes e os punhos fechados
A cabeça agora estava reta, olhando nos olhos
Ele sabia que sangraria
Mas mesmo assim pisou e repisou
E na calada da noite ele partiu
Para o lugar onde começaria tudo de novo
Testa franzida e cabeça baixa

Navio Fantasma

Olhei e olhei bem a lista de chamada
Corri os olhos e nada encontrei
Estava fora dos escolhidos a ingressarem no navio fantasma
Iria viajar o mundo por lugares desconhecidos e invadir caribes em busca de tesouros perdidos
Caminharia sobre o mar e mergulharia em terra firme
Sonharia com caravanas dos homens sem faces e sem escrúpulos
Roubaria cidades mínimas e beijaria a mulher do Rei
No breu da noite contaria todas as estrelas
E me nomearia dono de um terço do céu
Me deitaria sobre o mastro da vela
E quem sabe até choraria com saudades da vida convencional
Mas não desejaria voltar
Me afastei da lista e não quis acreditar
Retornei a olhar
Mas meu nome não estava lá

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

E o tempo vai passando...

A vantagem de ficar mais velho é que a gente cresce.
Só por isso.

Dia comum

Doce ilusão de um dia incomum.
Pois tudo parece estar mais comum do que nunca.
Os mesmo rostos. As mesmas falas. Os mesmo programas.
As mesmas atitudes. Os mesmo lugares.
Ninguém sabe sabotar o vicio de se manipular diariamente.
Ninguém se cansa e todo mundo repete o que foi dito ontem.
Repetem, repetem e repetem os mesmo vícios.
E tudo isso é só mais um dia comum.


Dia (de) clássico

No domingo de manhã o marido já acorda brigando com a mulher. – Puta merda, me fez levantar essa hora no domingo pra ir à feira, não sabe que eu trabalho a semana toda. Ontem foi um dia corrido, você mesmo viu. Não podia me dar uma folga um domingo pelo menos e me deixar dormir até tarde. Todo domingo a mesma coisa...

E a ladainha continuava. Não parava de falar sequer um minuto. A mulher entristecida a essas alturas já se sentia culpada, mas também não queria voltar atrás, pois era o programa de domingo que haviam combinado deste o início da semana. Orgulhosa que só ela começou a discutir também. – É amor, você é cheio dessas histórias, mas esquece que você mesmo tinha dito que iria comigo na feira, agora não vem dizer que a culpa e minha.

E a discussão se estendia e parecia não ter fim. Na feira, o marido ficou encostado no carro enquanto a mulher, de cara emburrada, escolhia umas frutas frescas e algumas leguminosas. Demorou cerca de 20 minutos e quando chegou ao carro o marido nem sequer abriu o porta-malas para guardar os produtos e ainda reclamou: - Que puta demora heim...

A mulher irritadíssima meio que esbravejou: - Vá à merda... e eu vou almoçar na minha mãe.

O marido, sem dizer uma palavra, entrou no carro e partiu em direção a casa da sogra. Era tudo o que ele queria: se livrar da mulher, pois domingo é dia de futebol e com ela em casa a briga pelo controle remoto é grande.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Apenas dois papéis...

No banheiro. Após lavar as mãos. O rapaz se vê diante do pegador de papel toalha. A mão pingando, molha a pía, o chão e a calça. Aproveita a água da mão e dá um jeito no cabelo. No pegador de toalhas um aviso: APENAS DOIS PAPÉIS SÃO SUFICIENTES PARA SECAR AS MÃOS. O que é isso? Apenas dois papéis? Mas nem pensar. São duas mãos com dez dedos. Dois papéis não vai dar. Ele pensa. Analisa. E se desafia. Puxa o primeiro papel. E puxa o segundo papel. Começa a secar as mãos. O papel logo fica todo ensopado d'água. E a mão? Claro que está úmida ainda. Ele vai para pegar mais um papel. Mas o aviso parece agora ser maior do que antes. Parece um letreiro. Uma fachada de loja. As letras estão enormes. Parece até ter uma voz lendo o aviso: APENAS DOIS PAPÉIS SÃO SUFICIENTES PARA SECAR AS MÃOS. Que se foda esse aviso. O que são mais uns papéis. Mas a frase continua lá. Enorme. Repetindo na sua cabeça. APENAS DOIS PAPÉIS SÃO SUFICIENTES PARA SECAR AS MÃOS. Ele pára. Fica injuriado. Se dá por vencido e sai do banheiro secando as mãos na calça.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Cegos na escuridão

A escuridão esconde o que a claridade aponta. Tarde demais. Fugiu do templo. Fugiu do clã. Agora são noites à fio. Atrás de navalhas para riscar a carne. Sangra o teu corpo. Sangra a tua consciência. Sangra o teu amor. Chora você. Chora todos ao seu redor. Agora é tarde? Você pensa ao se arrepender. Talvez não. Vamos lá. Apenas acenda a luz novamente. Enfrente o que a claridade lhe aponta. São falhas. Rachaduras na parede do seu quarto. Simples de consertar.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Flagra?

A insegurança está nos olhos das meninas e dos meninos. A incerteza entope as salas com uma neblina invisível de medo. Os caninos aparecem no sorriso amarelo e disfarçante das pessoas. Crachás, mesas e computadores. A música serve pra enganar os pensamentos e até, por que não, afastá-los. Sirva-se de um café quente, sem açúcar, no copo de plástico e aguce o paladar, pois a manhã será lenta e tenebrosa. Sabe se lá quem vai e quem vem. Isso mesmo. Sabe se lá quem vai e quem vem. O vento sopra as venezianas e o ar gela a sala. Risadas distraem. O toque do telefone amendrota. A palavra chefe estremece. É o medo. É a incerteza. O jogo está só começando. Pode rezar. Boa sorte!

Velvet

Vestidos de medos  Petrificados  A taça de vinho está trincada Pronta pra quebrar